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Motorista dá carona e é agredido por passageiros

12/03/2018



   A violência nas ruas de São Paulo fez mais uma vítima na noite do último domingo, dia 4. Um motorista da Viação Cidade Dutra foi covardemente agredido durante o horário de trabalho na Avenida Atlântica, na zona sul de São Paulo. Com muitos hematomas no rosto e o nariz quebrado, ele implora por respeito. Enquanto isso, o Sindmotoristas fortalece a luta para evitar que a categoria continue a mercê de bandidos e passageiros que, diariamente, causam transtornos e perturbam a paz dos trabalhadores.

   No caso de Carlos Fabiano, que conduzia a linha 6913/10, entre os terminais Varginha e Bandeira no domingo, a situação passou dos limites. Tristemente acostumado com a grosseria de alguns passageiros, ele sentiu na pele a vulnerabilidade sofrida pelos trabalhadores em transporte e hoje guarda as marcas de quem vive diariamente exposto a criminalidade. Chutes, socos e xingamentos foram os ataques cometidos contra o motorista, após uma carona.

   “Se eu tivesse seguido a minha intuição, nada disso teria acontecido”, afirmou Carlos, relembrando alguns dos piores momentos da sua vida profissional. Tudo começou quando o condutor permitiu a entrada de dois rapazes no ônibus, que alegaram ter o cartão transporte roubado. “Abri as portas da frente e de trás para que pudessem entrar. Um deles perguntou quais providências deveria tomar, devido ao roubo do cartão. Expliquei que deveriam ligar na SP Trans na segunda-feira e fazer um BO, pois naquele dia nada mais poderia ser feito”, explicou Carlos Fabiano. 

   No entanto, apesar dos esclarecimentos, o outro indivíduo insistiu que o motorista não queria ajudá-los a resolver o problema no próprio domingo, dando início aos xingamentos e palavrões. “Eu dirigindo e ele me xingando e ameaçando. Me chamou de todos os nomes, macaco, urubu. Foi então que eu disse ‘se eu soubesse que ia me xingar, não pegava vocês’. Nesse momento, ele falou ‘duvida que eu meta a mão na sua cara?’ Foi quando ele me deu o primeiro chute na cara. Depois começaram a dar murros em mim”, disse o condutor da Cidade Dutra, que foi acudido por outros passageiros.

   Os bandidos conseguiram fugir. Já o motorista foi encaminhado para o Hospital Vidas e ainda sente as dores da agressão. “Essa noite nem dormi com uma dor no peito que não passa. Vou ter que voltar ao médico. É um total desrespeito com um trabalhador. Todos os dias somos maltratados por passageiros, é algo recorrente na nossa categoria. É comum ver companheiros que foram agredidos. Isso não pode continuar. Precisamos de segurança”, mencionou.

   A insatisfação de Carlos é a mesma de todos os companheiros, que rezam antes de sair de casa com medo de não voltarem para a família. “Não aguentamos mais presenciar trabalhadores sendo mortos ou agredidos. O fim da violência no transporte sempre esteve e permanecerá entre as nossas prioridades até que a categoria exercer as suas funções com dignidade sem temer o dia de amanhã”, ressaltou o presidente Valdevan Noventa.

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