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5 de junho de 2018

Quase 100% das vagas criadas no setor privado são informais, diz IBGE

Quase 100% das vagas criadas no setor privado são informais, diz IBGE

Quase 100% das vagas geradas no setor privado neste ano foram informais, segundo análise do IBGE baseada nos dados extraídos da pesquisa Pnad Contínua, divulgada nesta quinta-feira (30) pelo instituto.

 

Os cálculos de Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, são aproximados e demonstram a tendência de informalidade verificada na geração de emprego recente no país.

 

A Pnad Contínua mostra que aproximadamente 2,3 milhões de postos foram criados neste ano de 2017, desde o trimestre iniciado em fevereiro.

 

Destas, Azeredo avalia que cerca de 1,7 milhão são postos voltados para a informalidade, ou seja, é possível afirmar que 76% das vagas geradas dentro do ano têm características informais. O restante foi serviço público (511 mil).

 

O rendimento médio do trabalhador informal foi de R$ 1.253 no trimestre encerrado em outubro, 42% a menos que a média de todos os trabalhadores, que foi de R$ 2.127. Houve um leve aumento em relação ao trimestre anterior, quando o informal ganhava em média R$ 1.197.

 

“A geração de postos de trabalho com característica informal contribui para a precarização do mercado de trabalho, pois adiciona a esse mercado ocupações de baixa qualidade”, afirma Azeredo.

 

O trabalho informal são vagas geradas no trabalho sem carteira (721 mil), empregadores (187 mil), trabalhadores domésticos (159 mil) e por conta própria (676 mil) —modalidades consideradas de menor qualidade em relação aos postos com carteira assinada, protegidos pela lei trabalhista.

 

É o trabalhador que perdeu o emprego formal na construção e passou a atuar com pedreiro independente em pequenas obras, contratando ajudantes, o que o coloca na categoria de empregador. Também pode ser aquele que passou revender comida feita em casa ou cosméticos, por exemplo, encaixando-se na modalidade do conta própria.

 

Os novos empregos com carteira ficaram em 17 mil no trimestre, um número considerado pequeno do ponto de vista estatístico.

 

“É possível fazer essa aproximação porque, no momento em que o trabalho por conta própria está aumentando, parte expressiva das vagas de empregadores também têm grandes chances de serem informais”, diz Azeredo.

 

Fonte: Folha de SP