De acordo com o secretário de Saúde do Sindicato, Raimundo Celestino (Maguila), é através da discussão sobre as próprias condições de trabalho e com a socialização das experiências, que cada trabalhador, em particular, descobre a dimensão social dos próprios problemas. “Por este processo – discussão e socialização – que a dimensão puramente individual da condição de trabalho transforma-se em uma questão coletiva, que compromete todo grupo na busca de soluções”, disse.
Especialistas na área de segurança avaliam que o constante aumento do número de acidentes e das doenças do trabalho demonstra a insuficiência da legislação prevencionista e do sistema de vigilância que deveria garantir sua aplicação. Sendo que esta insuficiência deve ser atribuída primeiramente aos trabalhadores e às suas representações que, desde há muito tempo, têm delegado a outros (DRT, PST, CRST, Ministério Público, médicos, engenheiros, psicólogos, técnico de segurança etc.) a defesa da saúde no local de trabalho. Em segundo lugar, à falta de maior interesse do Estado e ao completo desinteresse do patronato.
Portanto, são os trabalhadores que devem tomar iniciativa da prevenção e assim garantir a saúde no trabalho. A elaboração de uma alternativa sindical, que sustente na máxima participação e decisão dos trabalhadores, deve levar em conta alguns princípios que fundamentam uma linha operativa de transformação da organização do processo de trabalho ou, ao menos, eliminação ou redução dos riscos.
Tal linha de ação deve necessariamente passar pelo sindicato, mas mais importante, pela intervenção dos trabalhadores no seu local de trabalho, que pela experiência já acumulada serão capazes de construir-se, enquanto sujeitos coletivos e constituir-se, organizativamente, através de diversas estruturas de organização por local de trabalho. Na opinião do técnico João, quando o grupo se reúne é feito uma análise completa do processo de trabalho e a forma como está organizado, segundo a experiência dos trabalhadores. “Nosso objetivo é, num primeiro momento, analisar como, na lógica capitalista, o trabalho compromete a integridade física e psíquica dos trabalhadores”, afirmou.
Por Nailton Francisco/Adelle Honain 12/07/2010