O Sindicato / Palavra do presidente

O Brasil passando a limpo

O País vive um momento único da sua história. Três anos de Lava Jato e ainda os brasileiros se surpreendem com as sucessivas denúncias de propinas, um esquema de corrupção sistêmico que se entranhou de tal forma na classe política que parece um mal que não tem fim.

Hoje, é certo que a crise econômica se estendeu por tanto tempo por culpa da crise política. Depois de tantos impactos negativos, um alento: a economia nacional muito lentamente começou a dar sinais de reação. Mas a luz no fim do túnel durou pouco, questão de dias.

Quando se pensou que a crise política tivesse passado pelo seu pior momento,  caiu como uma bomba a gravação do presidente da República, Michel Temer, dando aval para silenciar o ex-deputado Eduardo Cunha, condenado no processo da Lava Jato, com dinheiro de uma das maiores empresas do País, a JBS.  Ainda, nesse mar de lama, já estava o senador Aécio Neves que se afundou de vez ao ser pego em transação de dinheiro ilícito.

Em choque e indignada, a Nação exige punições exemplares àqueles que se apropriaram indevidamente do dinheiro público e do poder, como é o caso do presidente Temer que resiste em tomar a única atitude moral que lhe resta, o de renunciar.

Enquanto se aguarda o desenrolar dos próximos acontecimentos da crise política, a classe trabalhadora não baixa a guarda, continua com seu movimento de resistência contra as reformas da Previdência e trabalhista, a terceirização irrestrita e outros projetos nefastos que tramitam no Congresso Nacional, todos bancados por esse Governo capenga e desmoralizado.

O Sindicato dos Condutores/SP tem tido papel de destaque nesta luta nacional coordenada pelas centrais sindicais, sobretudo, na bem sucedida Greve Geral do dia 28 de abril, quando a categoria parou 100% o transporte por ônibus da cidade de São Paulo.

Paralela ao movimento nacional dos trabalhadores, o Sindicato travou uma difícil negociação salarial. Foram mais de 90 dias de campanha salarial que só foi encerrada por intervenção do Tribunal Regional do Trabalho – 2ª Região.

Longe do ideal,  o acordo salarial é o que foi possível, razoável, considerando também os efeitos de um outra crise, a do sistema de transporte público devido a uma dívida da Prefeitura com as empresas em mais de R$320 milhões. Sem lucro para justificar o pagamento, a PLR passou em branco este ano.

Muitos  trabalhadores ficaram decepcionados, mas não adianta se iludirem achando que não serão afetados pela conjuntura econômica atual. É um efeito dominó que atingiu as empresas de ônibus que está funcionando aos trancos e barrancos e, por consequência, chegou aos trabalhadores que não tiveram valorizados seus direitos como esperavam.

Que toda a categoria tenha a certeza de que a direção do Sindicato dos Condutores/SP deu o seu melhor, pautou a condução da campanha salarial deste ano pela responsabilidade e pelo bom senso para fazer a leitura certa de que é preciso às vezes dar um passo pra trás para, num futuro próximo, dar dois pra frente.

O importante é que cada um de nós, trabalhadores em transportes e cidadãos, não desistam de lutar, de acreditar nas suas instituições, não podemos perder o trem da história, o Brasil precisa ser passado a limpo em prol do fortalecimento da nossa democracia.

Fora Temer! DIRETAS JÁ!

Valdevan Noventa - Presidente

 


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